Jerónimo é o motorista de serviço. Apresenta-se impecavelmente ao serviço, bem vestido, com a barba bem aparada, e com peúgas cor-de-rosa, tal como metade do visto, mas de tom mais forte.
O Jerónimo guia-nos pelo rio de carros que as ruas de Luanda são. 3 minutos depois de entrarmos no rio de carros, acontece um acidente a meio metro do nosso jipe. Meio metro é a distância média a que os carros circulam em Luanda. Em andamento. Quando param, a distência média é de 20 cm.
Acontece que alguém se distraiu e, num cruzamento, parou só a meio metro do carro seguinte. Meio metro permite, à vontade, que uma motoreta passe por entre os dois jipes V8 monstruosos. Mas não pode presseguir mais, pois o condutor seguinte fez o seu trabalho e fechou a passagem para o intervalo regulamentar de 20 cm. A motoreta pára. O condutor inicialmente menos atento recupera a sua atenção e fecha o meio metro que tinha à sua frente para os ditos 20 cm. Epá, já la estava a motoreta. A motoreta não cai, mas fica entalada entre o mata-vacas do V8 e o chão. O motoretista, vira-se para trás para perceber o sucedido. Coloca o descanso da motoreta, apesar de estar entalada e não poder cair, desmonta da motoreta e dirige-se ao condutor do mata-vacas: "Olha o que foste fazer pá!".
Jerónimo tem um sorriso vencedor que voa sobre o trânsito.
Meu querido,
ResponderEliminaraqui em Portugal o Jerónimo discursa na Assembleia da República... O nosso é muito prudente, não se mete em confusões (a não ser na Festa do Avante)nem se atira aos calcanhares dos transeuntes, embora vontade não lhe falte (digo eu).Quanto às meias, não faço ideia a cor que usa, mas as evidências não abonam muito a favor do deu bom gosto.