terça-feira, 31 de maio de 2011

Eis a questão...

Luanda tem muitos encantos.... principalmente quando temos de resolver uma questão difícil à mesa de um bom restaurante.
O enunciado do problema é o seguinte. Vou atalhar os pormenores que não são essenciais para a resolução do problema para não vos maçar.
São cerca de vinte e uma horas. Aqui em Luanda não se diz nove horas quando nos referimos ao período da tarde.
Estamos sentados numa cadeira de verga. A areia da praia está a um metro de vós. Não se sabe qual é a temperatura em termos quantitativos, mas pode-se dizer que está bastante agradável.
Ouve-se o barulho do mar, mas suave e calmo, apesar de não muito distante. O Atlântico aqui é gentil e quente. A noite já é escura, pelo que nada existe para lá do horizonte, e o horizonte está bem perto de nós.


Grelhada?

Ou gratinada?



Eis a questão...

domingo, 22 de maio de 2011

Uma obsessão

Imaginem que são donos de um restaurante.

Ponham-se na pele do seu dono. São donos de um restaurante, mas não é um restaurante qualquer. É um restaurante no coração da capital Angolana, na Rua Che Guevara. O vosso restaurante tem uma espectacular sopa de grão a 7 dólares, e até já é conhecida em Portugal.
Mas isso não chega. Vocês querem que o restaurante chegue mais longe! Querem que seja mais e mais conhecido, e não só pela sopa de grão! Pelo bacalhau também!!! Sobretudo pelo bacalhau!! Mas como??? Só há uma forma de tornar essa vossa visão uma realidade ... anunciar no Multicaixa.




O que é o Multicaixa?

O Multicaixa é a versão angolana do Multibanco segundo o novo acordo ortográfico. É como ônibus, machimbombo e autocarro, em português do Brasil, Angola e Portugal, respectivamente.
O Multicaixa respeita fielmente o verde, o azul e o grafismo que se tornaram parte da cultura portuguesa através do Multibanco. Alterar o design do Multibanco seria como mudar as cores e formato da bandeira nacional. O design do Multibanco é intemporal, resiste à mudança e não depende da moeda do país em causa.
O Multicaixa, tirando a publicidade notável a um restaurante também ele notável e vosso, é idêntico em tudo ao Multibanco, tirando também que o primeiro dá milhares kwanzas e o último deu milhares de escudos e agora dá dezenas de euros.
O que me reforça a ideia que o Veneza e o Democrática estão também um para o outro como versões diferentes do mesmo conceito, ao abrigo do acordo gastronómico da tasca portuguesa.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Quem é o Jerónimo?

Jerónimo é o motorista de serviço. Apresenta-se impecavelmente ao serviço, bem vestido, com a barba bem aparada, e com peúgas cor-de-rosa, tal como metade do visto, mas de tom mais forte.
O Jerónimo guia-nos pelo rio de carros que as ruas de Luanda são. 3 minutos depois de entrarmos no rio de carros, acontece um acidente a meio metro do nosso jipe. Meio metro é a distância média a que os carros circulam em Luanda. Em andamento. Quando param, a distência média é de 20 cm.
Acontece que alguém se distraiu e, num cruzamento, parou só a meio metro do carro seguinte. Meio metro permite, à vontade, que uma motoreta passe por entre os dois jipes V8 monstruosos. Mas não pode presseguir mais, pois o condutor seguinte fez o seu trabalho e fechou a passagem para o intervalo regulamentar de 20 cm. A motoreta pára. O condutor inicialmente menos atento recupera a sua atenção e fecha o meio metro que tinha à sua frente para os ditos 20 cm. Epá, já la estava a motoreta. A motoreta não cai, mas fica entalada entre o mata-vacas do V8 e o chão. O motoretista, vira-se para trás para perceber o sucedido. Coloca o descanso da motoreta, apesar de estar entalada e não poder cair, desmonta da motoreta e dirige-se ao condutor do mata-vacas: "Olha o que foste fazer pá!".

Jerónimo tem um sorriso vencedor que voa sobre o trânsito.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Sopa de grão

Hoje temos um post super-excitante!

Vamos fazer uma versão escrita do Preço Certo em Kwanzas (mas também podem dizer em dólares)!
Não temos cá o gordo para gerar audiências, mas dá para fazer uma versão amadora do programa!

A pergunta é: quanto custa a sopa da foto?
O prémio é uma colherada na sopa*.


Vou dar umas dicas!
É uma sopa de grão, mas também tem alguns legumes.
Estamos a falar do preço no menu, sem qualquer tipo de desconto por o prato estar ratado.
O restaurante é o Veneza, em pleno coração da capital.
Para quem não conhecer o restaurante, é tipo o Democrática, em Coimbra. Onde fazíamos o jantar de curso no primeiro ano por 1200 escudos... apre, ainda se usava o escudo quando comecei a faculdade... Dizia, 1200 escudos com tudo incluído, comer até rebentar e vinho tinto da casa e finos até perder a fala.
O Veneza tem a particularidade de ter a parede do balcão revestida por ladrilhos tipo tijolo encerado e o tecto em madeira escura envernizada, feito de longas tiras estreitas com juntas com um baixo-perfil. A casa do meu avô tinha também um barzinho exactamente neste estilo. Isto faz todo o sentido, já que também ele passou boa parte da vida dele nesta terra. É um ciclo que se fecha. Até a sopa faz lembrar a sopa da minha avó! Só que sem feijão nem massa nem batata por passar!

Com todas estas pistas, o preço já se tornou evidente, pelo que não vou dizer mais e dar a palavra a todas as domésticas em Portugal que nos lêem atentamente.


* apenas a sopa está incluída. Todas as outras despesas por conta do vencedor. Boa sorte para conseguirem o visto!

terça-feira, 17 de maio de 2011

Jerónimo

Estes ouvintes são dos melhores do mundo.
Glória e avareza para todos.

Como é chegar a esta cidade?
Chega-se de avião, depois de uma viagem nocturna de 7h30 onde alguma turbulência desembala o sono dos viajantes.
Sou o único novato nestas andanças. Já todos sabem do que nos espera à saída do avião, menos eu. Pelo menos até ao meu co-piloto me dar as devidas dicas. Segue-se a medonha fila de passagem pela fronteira.

O voo da TAAG chega meia hora antes do da TAP e por isso levam grande vantagem na fila dos passaportes. No entanto, tradicionalmente, o voo da TAP leva vantagem em número de peças que chegam ao destino. O da TAP, desta vez, adiantou-se, chegando muito em cima do da TAAG, para prejuízo do nosso sono e um maior tempo de espera na fila dos passaportes.

O edifício do aeroporto é novo e moderno. A sabedoria popular diz que um aeroporto nunca é o espelho de um país.
Está tanta gente na fila que nem toda a gente cabe na sala de espera, pelo que parte dos ex-passageiros têm de ficar fora do edifício. Apesar do pouco espaço dentro do edifício, o meu co-piloto é ameaçado de ser multado se se mantiver na parte de fora e nao entrar. O povo aperta-se e lá cabemos todos. Na Roménia tinham umas fitas para orientar a fila até aos omnipotentes guichets, mas aqui não é preciso.

Lentamente, os polícias vão carimbando os infindáveis passaportes com o visto amarelo e cor-de-rosa. O polícia que me calhou a mim tem, de longe o melhor ritual. Martela musicalmente cinco vezes a esponja com a tinta antes de fatalmente marcar o visto. Um carimbo de tinta não é burocraticamente representativo, pelo que deve ser devidamente acompanhado pelo selo branco e uma rubrica do já famoso polícia. Este é o que tem mais estrelas no ombro da farda, que, tal como o bigode, reflecte indubitavelmente a sua capacidade superior de carimbar passaportes.

Uma hora e tal depois de pisar solo Angolano, entro em Angola. O Jerónimo está à nossa espera.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Um blog de perguntas!

Decidi fazer um blog com um conceito inovador!
Eu faço perguntas e os telespectadores respondem!

Tem de haver um prémio.
O prémio é glória e avareza!

Desta vez o tema é cidades.

Qual é cidade qual é ela?